Abrir a aula

A frase que ninguém disse

PROJETO DE VIDA · PENSAMENTO CRÍTICO · roteiro de uma página · 23 telas · 2 aulas (47 e 45 minutos)
0–31. O júriAntes de qualquer tema, projete a frase e leia em voz alta, devagar, duas vezes. Os dois nomes escritos à mão embaixo são os suspeitos de sempre. Diga só isto: hoje vocês são o júri desta frase. Na próxima tela vem o primeiro voto.
3–42. CapaA capa, com o tema dito com clareza. Leia o título e a linha de baixo. Hoje a turma vai fazer duas coisas: julgar uma frase famosa e descobrir quanto a gente entende do que acha que entende. Nada de explicar a frase ainda.
4–73. Primeiro votoPRIMEIRO VOTO DO JÚRI, por mão levantada; toque no cartão para contar. Primeira pergunta: de quem é a frase? Segunda: ela é verdadeira? Escreva também os números no canto do quadro: eles ficam ali a aula inteira e voltam no veredito.voto
7–94. Quatro objetosAntes do veredito, uma prova com o próprio júri. Leia os quatro objetos e a escala: 1 é não faço a menor ideia de como funciona, 7 é eu conseguiria explicar o mecanismo inteiro a alguém, passo a passo.
9–155. Explique ao colegaO cronômetro abre no canto: dois minutos e meio para cada um. Duplas. Cada um escolhe o objeto em que se deu a nota MAIS ALTA (isso maximiza o efeito).cronômetro
15–186. A nota de novoPeça a segunda nota para o MESMO objeto, antes de qualquer comentário. Depois conte as mãos por faixa, tocando no cartão a cada mão, e copie os números no quadro, ao lado do voto do júri; ficam ali a aula inteira.voto
18–207. O nome do que aconteceuDeixe o termo se decifrar na tela sem falar. Depois nomeie o que acabou de acontecer com eles: ILUSÃO DE PROFUNDIDADE EXPLICATIVA.decifra
20–238. O número encolheuRozenblit e Keil, Universidade Yale, 2002 (Cognitive Science): doze estudos com o procedimento que vocês acabaram de fazer (lá, por escrito).passos
23–279. O zíper em corteA TELA DE MECANISMO, e é cognição, não neurônio. Toque três vezes: a câmera entra no zíper em corte. Primeiro toque, os dentes soltos de cada lado.câmera
27–3110. Onde a ilusão moraO achado fino do estudo, e é o que torna a aula útil em vez de curiosa. A ilusão é específica de MECANISMO. Com dispositivos (zíper, fechadura, helicóptero) e fenômenos naturais (arco-íris, maré), a queda é de quase um ponto.passos
31–3411. A investigaçãoDe volta ao júri. Conte como investigação, na ordem, um toque para cada linha. Primeiro: Richard Feynman, Nobel de Física, morreu em 1988 sem nunca ter descrito o protocolo de quatro passos que hoje leva o nome dele.passos
34–3712. A frase não tem donoToque duas vezes: os dois nomes são riscados à mão. Faça o mesmo no quadro, ao lado do voto do júri. Diga: vocês repetiram uma frase a vida inteira sem nunca ter perguntado quem a disse. Isso não é burrice de ninguém; é como a informação viaja.risco
37–3913. Antes do vereditoConte a cena verdadeira, que está em livro, com página. Feynman foi convidado a preparar uma aula introdutória para calouros sobre um tema difícil da física. Disse que sim. Voltou depois de um tempo.silêncio
39–4314. O vereditoO VEREDITO DO JÚRI, e a recompensa é melhor que a lenda. Leia a citação em voz alta, inteira, e pare. Registro: David Goodstein e Judith Goodstein, Feynman’s Lost Lecture (1996), p. 52. No original: I couldn’t do it.passos
43–4715. Fim da primeira aulaO JÚRI REVOTA, só a segunda pergunta: a frase do quadro é verdadeira? Toque no cartão a cada mão e escreva o resultado no quadro, ao lado do voto da abertura. Não comente a diferença: deixe a turma ver. FIM DA PRIMEIRA AULA.voto
A2 0–916. Aula 2 · As quatro cartasA segunda aula começa direto nas cartas, sem retomada. Se houve o ato de casa, uma pergunta só, em um minuto: em que passo a explicação travou? Ouça duas respostas e siga. AO VIVO, e é o momento longo da segunda aula.cronômetro, cartas
A2 9–1317. Sozinhos e em grupoRevele a resposta (E e 7) virando as cartas na tela anterior, se ainda não virou, e depois o estudo. Moshman e Geil (1998), 143 universitários americanos, a mesma tarefa: 32 resolveram sozinhos e os demais em 20 grupos de cinco ou seis.passos
A2 13–1718. Uma tesePor que o grupo acertou e o indivíduo não? Uma explicação possível, e ATENÇÃO À HONESTIDADE: isto é uma TESE teórica, publicada com comentários abertos de pares, e não um experimento. Mercier e Sperber, 2011 (Behavioral and Brain Sciences, 34(2)).
A2 17–2219. O viés que a inteligência não corrigeAqui você desmonta a fantasia de que pensar melhor é ficar mais inteligente. O termo técnico é VIÉS DO MEU LADO: a tendência de avaliar evidência conforme ela favorece o próprio lado.
A2 22–2620. A viradaA virada. Junte as três coisas: a ilusão de profundidade mostra que você acha que entende; o viés do meu lado mostra que a inteligência não corrige isso; a tarefa das cartas mostra que a discussão corrige.passos
A2 26–2921. Um Nobel diante do próprio erroO caso que fecha a aula. Daniel Kahneman ganhou o Nobel de Economia em 2002 e escreveu o livro mais influente de psicologia das últimas décadas (Rápido e devagar).passos
A2 29–3322. Foi simplesmente um erroLeia a citação em voz alta, inteira, e não comente logo depois. Ela foi escrita em 14 de fevereiro de 2017, num comentário público, respondendo à análise que demolia o capítulo do próprio livro.passos
A2 33–4523. O júri julga a própria opiniãoO ÚLTIMO JULGAMENTO, e é o único momento de escrita, no fim. Meia folha por aluno. Aponte para o quadro: a frase do júri riscada, as notas que caíram, os votos das cartas. Três linhas, uma por toque, e a terceira é a difícil.passos

As notas completas estão na aula (tecla N) e na tela de condução (tecla P).Dr. Júlio Lucena · Colégio NewWay