O que move o Personagem, o Crítico e o Roteirista, e o que faz os três andarem juntos.
Dr. Júlio Lucena · Colégio NewWay
Ninguém precisou mandar você olhar para ela.
O que puxa você? E o que segura?
Desejo
Do Personagem. Só aparece quando a coisa está presente, e cresce com o tempo de exposição.
Vontade
Do Roteirista. Funciona na ausência: você quer aquilo que planejou.
Ira
Do Crítico. Acende quando o combinado é quebrado, e cobra justiça.
Emoção vem de movimento. Cada força leva você para perto ou para longe de alguma coisa.
Por isso afastar funciona melhor do que resistir.
A ira aparece para consertar o que saiu do combinado.
“Você é um furão. Não dá para contar com você.”
“Eu conto com você. Você furou duas vezes. Aconteceu alguma coisa?”
Na segunda fala, a raiva vai contra a rachadura. Na primeira, vai contra o amigo.
Uma cadeira rachada continua sendo uma cadeira.
Quem ouviu isso a vida inteira guardou uma sentença fixa. No dia em que erra uma conta e alguém ri, a ira sobe para defender a sentença.
Com o juízo ajustado, “errei esta conta”, sobra pouco para defender.
Atenção
Liga o presente ao passado. De duzentos carros no caminho, você lembra de poucos.
Intenção
Liga o passado ao futuro. O que você concluiu vira o que pretende buscar.
Pretensão
Liga o futuro ao presente. É o plano entregue ao corpo para ser cumprido.
Aquilo que prende a sua atenção, entre tudo o que passa, já diz algo sobre o seu chamado.
Vale música, conversa, assunto ou pessoa.
Você vê a grama do vizinho pelo lado que ele mostra.
Quem levanta 40 quilos e escreve 100 no plano termina o dia com gosto de fracasso. O plano de 45 se cumpre, e na semana seguinte cabem 50.
Mude uma coisa por vez e deixe o resto da rotina parado.
Quem anda olhando para si mesmo perde a referência. A personalidade gira em volta de um bem que está fora dela.
Em volta de quê os seus três estão girando?
Atende quinze por dia. À noite pergunta: quanto entrou?
Atende menos, preparado. À noite pergunta: quem saiu melhor?
A pergunta que você se faz à noite mostra o seu eixo.
Quando a luz alcança os três tempos, você passa a escolher.
À noite, deitado, você consegue olhar para quem planejou, para quem agiu e para quem avaliou, e dizer: os três sou eu.
Se o dia fechou, vem paz. Se sobrou distância entre eles, vem tristeza.
Machado de Assis fez um morto contar a própria vida. Escreva uma frase: o que você gostaria que dissessem de você no fim?