Viena, 1940–1941. Um médico judeu recebe a saída que todos esperavam, e não vai.
Dr. Júlio Lucena · Colégio NewWay
A história vai parar três vezes. Nas três, você decide antes de saber o que ele fez.
Viena, de 1938 a 1941.
Neurologista e psiquiatra. Ainda estudante, abriu atendimento gratuito para jovens. Escrevia o primeiro livro, sobre o sentido da vida.
O regime mandava eliminar doentes mentais. Frankl, chefe da neurologia, trocava os diagnósticos, com risco da própria vida.
Instituto Viktor Frankl, Viena
Quase nenhum aceitava. Os consulados tinham cotas e filas de anos. Um visto separava quem ia embora de quem esperava o trem.
Os pais não estão incluídos. Ficam em Viena, e ele sabe o que espera os idosos que ficam.
Ninguém pediu que ele ficasse.
Contou depois que saiu de lá sem resposta, querendo um sinal.
Tinha uma letra gravada. Era a abreviação de um dos Dez Mandamentos.
Frankl, prefácio de Em busca de sentido
Êxodo 20,12 · o quarto mandamento na contagem católica, o quinto na judaica
Deixou o visto vencer.
Por nove meses, moraram os quatro na mesma casa.
Ele estava em casa quando bateram à porta.
Pode ser uma pessoa, pode ser ninguém. As duas respostas são honestas.
O fim, vocês veem na próxima aula.
Três respostas da sala. Depois, alguém reconta a história até a porta.
O que ficar custou, e o que só foi possível porque ele ficou.
“Perguntei: ‘Sente dor?’ ‘Não.’”
“‘Quer alguma coisa?’ ‘Não.’”
“Eu o beijei e saí. Sabia que não o veria vivo de novo.”
“Mas tive o sentimento mais bonito que se pode imaginar: eu tinha feito o que podia.”
Viktor Frankl, relembrando a cena anos depois · tradução livre
A resposta foi um palavrão. “Naquele momento”, escreveu, “risquei toda a minha vida anterior.”
Frankl, Em busca de sentido, parte I · tradução livre
“Como entender essa coincidência senão como um desafio para viver os meus pensamentos, em vez de só pô-los no papel?”
Frankl, Em busca de sentido, parte II · tradução livre
“O amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana.”
“Eu não sabia, nem poderia ou precisaria saber, se a pessoa amada estava viva.”
Frankl, Em busca de sentido, Vozes, trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline
“Esta árvore é a única amiga que tenho na minha solidão. Eu converso com ela.”
Frankl perguntou se a árvore respondia, e o que dizia.
“Eu estou aqui. Eu estou aqui. Eu sou a vida, a vida eterna.”
Frankl, Em busca de sentido, parte I · tradução livre
“Tenho certeza de que essa reconstrução me ajudou a vencer o perigo de um colapso.”
Frankl, Em busca de sentido, parte II · tradução livre
Viena, 1945.
“Soube que minha mãe foi mandada para Auschwitz uma semana depois de mim.”
“E eu mal tinha chegado a Viena quando me disseram que minha mulher também está morta.”
Viktor Frankl · tradução livre da edição americana das cartas
Ditou o livro em nove dias. Queria publicar sem o próprio nome: achava que assim poderia dizer tudo.
Frankl, carta de 14 de setembro de 1945 · tradução livre
Passou a perguntar o que a vida esperava dele. Nas três vezes, a resposta tinha um rosto.
Frankl, Em busca de sentido, parte I
Um nome e o que essa pessoa espera. Até domingo.