| 0–2 | 1. 7,37 | Sem retomada e sem capa: o número sozinho, enorme, sem unidade, sem fonte, sem contexto. Deixe o número chegar contando e não diga nada. Depois pergunte só: o que é isso? Ouça chutes por uns quarenta segundos. Vão dizer preço de pão, de passagem, de café. Ninguém acerta. | número que conta |
| 2–4 | 2. A unidade desta aula | Revele. Leia o artigo primeiro do decreto em voz alta, com a data: é texto de lei. Depois toque nas três conversões: R$ 1.621 por mês, R$ 54,04 por dia (dividido por 30), R$ 7,37 por hora (R$ 1.621 por 220 horas mensais, a jornada de 44 horas semanais). | passos |
| 4–6 | 3. O talão | No outro canto do quadro, desenhe um talão de cheques com 84.480 horas escritas na capa: é a vida de trabalho de uma pessoa (44 horas por semana, 48 semanas por ano, 40 anos). Diga: é o que vocês têm para gastar numa vida de trabalho, e ainda não gastaram nenhuma. | número que conta |
| 6–8 | 4. Quanto é ser rico no Brasil? | Um número em cada pergunta, num papel, sem mostrar a ninguém. É uma aposta de um número, privada de propósito: se for em voz alta, eles ajustam pelo vizinho e o erro se dilui. Dê um minuto de silêncio de verdade. | passos |
| 8–10 | 5. A média e a mediana | Esta tela ensina a estatística que eles vão usar a vida inteira. A média é quanto sobraria se todo o dinheiro do país fosse dividido igual; a mediana é quanto ganha a PESSOA DO MEIO DA FILA: metade do Brasil ganha menos que ela. Quando a média é quase o dobro da mediana, é porque o topo puxa a conta. | passos |
| 10–13 | 6. Três mil, quinhentos e noventa | MANDE ABRIREM O PAPEL antes de revelar. Toque: o R$ 3.590 entra como revelação. Pergunte, por mão levantada, quantos escreveram um número ACIMA de R$ 3.590 para a primeira pergunta, conte e escreva no quadro: é o dado da sala, e a tela tem o espaço para ele. Quase sempre são quase todos. | passos |
| 13–15 | 7. Dividido por quantas pessoas? | Pergunte se alguém reparou que eu disse por pessoa nas duas telas anteriores. Quase nunca alguém reparou. Explique: o número é o rendimento da CASA INTEIRA dividido pelo número de moradores, e a maioria das reportagens não conta isso. | passos |
| 15–16 | 8. Parte II · Nina, 17 anos | Divisória e personagem. Até aqui vimos quanto entra no país; agora quanto sai, na vida de uma pessoa. Apresente a Nina: personagem inventada, a mesma das outras aulas. Nas outras ela tem 16; aqui é um ano depois, 17 anos, primeiro emprego com carteira assinada, salário mínimo. | |
| 16–18 | 9. Novecentos reais de comida | A cesta básica do DIEESE é medida todo mês nas 27 capitais, com a mesma lista de itens. Toque do mais caro ao mais barato. O ensino está na régua, e ela surpreende: a cesta cobre UMA PESSOA ADULTA por um mês, e a compra da família é outra conta, bem maior. Diga isso e deixe a sala reagir. | passos |
| 18–19 | 10. 122 horas | Deixe o número contar e fique três segundos em silêncio. É o primeiro grande retorno do dispositivo da aula: o preço virou hora. R$ 900,59 divididos por R$ 7,37 dão 122 horas, três semanas de expediente num mês de quatro, e 60% do que cai na conta da Nina. | número que conta |
| 19–22 | 11. A Nina tenta morar sozinha | A Nina quer sair de casa. Toque nas três linhas UMA POR VEZ e deixe a soma acontecer na cabeça deles antes de mostrar o subtotal. Pergunte: quantos salários mínimos são? São 1,9, e a Nina recebe R$ 1.499 líquidos: faltam R$ 1.600 por mês. | desenho por toque |
| 22–25 | 12. Quem deve | Deixe o 82 contar. Primeiro número: a CNC (pesquisa Peic, mensal, com cerca de 18 mil consumidores nas 27 capitais, feita desde 2010) achou 82% das famílias endividadas em agosto de 2026, recorde da série; 29,9% com contas em atraso e 19,2% comprometendo mais da metade da renda com dívida. | voto, número que conta |
| 25–27 | 13. 444,9% ao ano | ANTES DO NÚMERO, o palpite da sala: quanto vocês acham que custa por ano o juro do rotativo do cartão? Ouça três chutes e escreva no espaço da tela. Toque: o número conta. | número que conta |
| 27–30 | 14. A Nina entra no rotativo | Diga que é uma conta hipotética: se a Nina passasse R$ 1.000 no cartão, não pagasse nada e os juros do rotativo corressem soltos. FAÇA A CONTA NO QUADRO, mês a mês, com 15,18% ao mês: 1.152, 1.327, 1.528, 1.760, 2.027. No quinto mês a dívida dobraria. | desenho por toque |
| 30–32 | 15. O salário acompanha a conclusão | O lado da mesa que paga. Toque de cima para baixo, deixando o superior completo por último. A distância está na conclusão: entrar na faculdade sem terminar está associado a R$ 571 a mais que o ensino médio; terminar, a R$ 4.543 a mais. RESSALVA DE MÉTODO, em voz alta: é correlação, e com seleção. | passos |
| 32–35 | 16. A Nina guarda duzentos reais | Volte à fórmula do cartão da Nina e diga: é a mesma. A diferença é de que lado da mesa ela está. O cenário: a Nina guarda R$ 200 por mês dos 17 aos 27, depois PARA DE DEPOSITAR e não mexe até os 60. Vinte e quatro mil reais entram, cento e cinquenta e quatro mil saem. | desenho por toque |
| 35–37 | 17. A versão que circula | O coração ético da aula. Comece pelo gráfico que eles já viram: quem começa aos 18 e para aos 28 termina com MAIS dinheiro do que quem começa aos 28 e deposita a vida inteira. Bonito, muito compartilhado. Então diga: eu fui fazer a conta, e ela depende INTEIRAMENTE da taxa que você assumir. | risco e correção |
| 37–40 | 18. Por que o agora pesa mais | Mecanismo. Pergunte primeiro e faça o voto (cada toque no cartão soma uma mão): R$ 100 hoje ou R$ 150 daqui a um ano? A maioria pega os cem, e a conta diz que os cinquenta a mais são 50% de rendimento, muito acima de qualquer aplicação. Toque. | voto, desenho por toque |
| 40–44 | 19. A virada: prudência | A virada da aula, e ela não fala de dinheiro. Fale devagar, em pé. Prudência, em Tomás de Aquino, é razão correta aplicada ao que se faz; eles associam prudência a covardia, então diga o que ela não é: medo, economia doméstica, recusa a arriscar. | passos |
| 44–50 | 20. O talão rasgado | Volte ao talão do quadro e ao da tela. Releia as horas arrancadas ao longo da aula: 122 da comida, mais 298 de aluguel e transporte, que somam as 420 do mês morando sozinha, e 136 dos juros; e as 27 por mês que a Nina guardou, a única folha que foi para o cofre. | voto, silêncio |
As notas completas estão na aula (tecla N) e na tela de condução (tecla P).Dr. Júlio Lucena · Colégio NewWay