| 0–4 | 1. Três da manhã | Sem capa e sem retomada: a sala entra na cena antes de saber o tema. Apague a luz da sala, se der, e narre sem ler, enquanto as janelas acendem: você mora num prédio de dez andares, numa rua tranquila. | passos |
| 4–5 | 2. Capa | Capa e tema numa tela só. Leia o título e a linha de baixo. Diga o que vem: a cena existiu de verdade, e a aula vai contar o que aconteceu, com o cuidado de quem confere a fonte. | |
| 5–8 | 3. A manchete | Conte que a cena existiu. Nova York, madrugada de 13 de março de 1964, bairro de Kew Gardens. Kitty Genovese, 28 anos, gerente de bar, é atacada na rua ao voltar do trabalho, a poucos metros da porta de casa. | |
| 8–11 | 4. E se a sala enchesse de fumaça? | O laboratório que nasceu daquela manchete. Antes do play, faça a pergunta da tela e peça voto de mão em três tempos: quem levantaria na hora, quem esperaria um pouco, quem ficaria sentado. | vídeo |
| 11–12 | 5. Parte I · O que é coragem | Passagem. Antes de voltar àquela rua, precisamos saber o que estamos procurando. | |
| 12–14 | 6. O excesso que não tem nome | Abra por uma observação de Aristóteles que ninguém espera, e que tira o peso de cima deles. No quadro das virtudes ele lista o que falta e o que sobra em cada uma. | |
| 14–17 | 7. Quatro condições, e três imitações | Leia a citação devagar: quatro condições, e errar uma já tira o ato da categoria. Aplique à janela: descer só é coragem se for pela razão certa; descer para bancar o herói e depois contar a história é outra coisa. | passos |
| 17–20 | 8. Aguentar é mais difícil que atacar | Esta tela reorganiza o imaginário deles. Tomás de Aquino pergunta se o ato principal da coragem é atacar ou suportar, e responde que é suportar (Suma Teológica II-II, questão 123, artigo 6). | passos |
| 20–21 | 9. Parte II · O que o corpo faz | Passagem. E o que acontece no corpo de quem desce a escada. | |
| 21–24 | 10. A cobra dentro do aparelho | Conte o desenho do experimento antes do resultado, devagar, como se contasse um caso. Pessoas com medo de cobra entram num aparelho de ressonância. Atrás da cabeça delas, numa esteira, uma cobra viva (uma cobra-do-milho de cerca de um metro e meio). | |
| 24–26 | 11. O medo desaprende, e rápido | Aqui o chão é firme, porque é um ensaio clínico randomizado, o desenho mais forte que existe para dizer que um tratamento funciona. | passos |
| 26–27 | 12. Parte III · Naquela noite | Passagem. Agora voltamos a Kew Gardens. Pergunte: qual das quatro letras vocês escolheram na abertura? Recontem as mãos antes de virar a tela e confira se o número do quadro mudou. | |
| 27–30 | 13. E a manchete não era verdade | O momento mais forte da aula começa aqui. Em 2007, três pesquisadores (Rachel Manning, Mark Levine e Alan Collins, American Psychologist) foram aos autos do julgamento e ao material de arquivo. | risco e correção |
| 30–32 | 14. Alguém gritou, duas ligaram | Uma letra por toque, e a janela acende no desenho junto com a fala. Primeiro toque: alguém escolheu B. Um vizinho gritou da janela deixe essa moça em paz e afugentou o agressor, que só voltou depois. | desenho por toque |
| 32–35 | 15. E uma escolheu D | Toque, e a figura da escada acende no desenho. Diga o nome dela em voz alta: Sophia Farrar, vizinha e amiga de Kitty, desceu sozinha, no escuro, sem saber se o agressor ainda estava lá. | desenho por toque |
| 35–37 | 16. 9 em cada 10: o que as câmeras mostram | Três segundos de silêncio enquanto o número conta. Hoje existe um dado melhor que qualquer laboratório: pesquisadores assistiram a 219 conflitos de rua reais, filmados por câmeras de vigilância em Amsterdã, Lancaster e Cidade do Cabo, três países, sem que ninguém soubesse que estava sendo estudado. | número que conta |
| 37–40 | 17. Ela já tinha decidido | A virada. O que separa quem age de quem não age não é a quantidade de medo: Sophia Farrar sentiu o mesmo medo dos vizinhos. O que ela tinha era outra coisa: já sabia que tipo de vizinha e de amiga era. | passos |
| 40–44 | 18. Embaixo da sua letra | Peça o papel da letra de volta às mãos. Esta é a decisão antecipada, a alma da aula: cada um escreve, embaixo da letra, o que vai fazer QUANDO alguém for humilhado na frente dele. | passos |
| 44–48 | 19. Em voz alta, em dupla | É a exposição em miniatura, exatamente o que a sessão única mostrou que funciona: o medo desaprende fazendo. Divida em duplas. Cada um diz a frase que escreveu, em voz alta, olhando no olho do outro. | |
| 48–53 | 20. A escada | O prédio volta, com todas as janelas acesas. Não fale. As janelas se apagam uma a uma, e fica acesa só a escada, com a figura descendo. Depois aparece o nome. |
As notas completas estão na aula (tecla N) e na tela de condução (tecla P).Dr. Júlio Lucena · Colégio NewWay